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Ser competente é importante. Ser estrategicamente percebido é decisivo.

Existe uma crença silenciosa no mundo corporativo: “Basta fazer um bom trabalho que alguém vai perceber.” Spoiler: não vai. Ou vai tarde demais. Competência é pré-requisito. É o mínimo aceitável. É o ingresso para entrar no jogo. Mas não é ela que define quem cresce, quem lidera, quem influencia, quem se torna indispensável.

O que define é percepção. E aqui começa o desconforto. Porque muita gente extremamente competente está nos bastidores, enquanto pessoas medianas ocupam o centro do palco — não porque entregam mais, mas porque entenderam algo que poucos admitem: carreira é performance estratégica. Não no sentido de fingimento, mas de consciência.

Toda empresa é um teatro invisível. Reuniões são cenas, projetos são roteiros, feedbacks são diálogos — e você, queira ou não, está em cena o tempo todo. A pergunta não é se você está sendo observado. A pergunta é: você sabe qual papel está interpretando? Existe o profissional que trabalha muito e existe o profissional que trabalha, comunica, posiciona e conecta o que faz com o que a empresa valoriza. O primeiro espera reconhecimento. O segundo constrói percepção. A diferença é brutal.

Quantas vezes você já ouviu: “Eu faço tudo certo, mas nunca sou lembrado.” Talvez esteja tudo certo mesmo — mas invisível. Competência silenciosa não gera influência. Entrega sem narrativa não gera autoridade. Resultado sem contexto não gera impacto estratégico. Ser estrategicamente percebido não é autopromoção vazia; é saber traduzir seu valor para o sistema onde você atua. É entender o que a liderança realmente enxerga como prioridade, quais comportamentos são recompensados (mesmo informalmente), quem decide o que é alto desempenho e qual problema crítico você resolve — e se isso está claro.

A maioria trabalha para executar tarefas. Os estrategicamente percebidos trabalham para gerar leitura de valor. Existe uma diferença enorme entre fazer um bom relatório e posicioná-lo como base para uma decisão crítica; entre resolver um conflito e evidenciar maturidade ao conduzi-lo; entre cumprir meta e explicar o impacto sistêmico daquela meta. Não é sobre aparecer, é sobre ser lido corretamente.

E aqui entra algo que poucos desenvolvem: inteligência cênica — consciência de palco. Quem domina isso sabe quando falar, como enquadrar um resultado, quando usar silêncio, quando discordar e como transformar uma entrega técnica em influência estratégica. Sem isso, a carreira vira um esforço solitário. E o mais duro: o mundo corporativo não premia esforço; premia percepção de valor.

Você pode ser extremamente competente e continuar sendo visto como operacional, ou pode estruturar sua comunicação, sua postura e sua presença para ser visto como estratégico. A competência constrói a base; a percepção constrói o posicionamento — e posicionamento define poder de decisão. Se você não constrói a narrativa sobre o que faz, alguém fará, e talvez não da forma que te favoreça. O jogo corporativo não é apenas técnico; é simbólico, político, relacional e perceptivo. Ignorar isso é ingenuidade. Aprender a navegar nisso é maturidade. Ser competente é obrigatório. Ser estrategicamente percebido é escolha consciente. No fim das contas, a pergunta desconfortável permanece: você está trabalhando para ser bom ou para ser lembrado como relevante?

Porque quem não é percebido estrategicamente acaba virando figurante da própria carreira.

Por Ronaldo Loyola, especialista em gestão de pessoas, professor e fundador da LHRC Consultoria (www.lhrc.com.br).

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