Nos últimos anos, finalmente avançamos em algo fundamental: falar abertamente sobre saúde mental no trabalho. Ansiedade, depressão, burnout, esgotamento emocional deixaram de ser tabu. Empresas passaram a investir em programas de apoio, líderes foram treinados para escutar, o tema ganhou espaço nas agendas estratégicas. Esse movimento foi — e continua sendo — absolutamente necessário.
Mas como todo avanço importante, ele também trouxe um efeito colateral perigoso: a banalização do discurso.
Tenho observado, em diferentes empresas e contextos, uma distorção crescente. Questões legítimas de saúde mental estão, em alguns casos, sendo utilizadas como argumento automático para justificar atrasos, baixa entrega, falta de foco, ausência de responsabilidade e dificuldade em lidar com qualquer nível de pressão. O problema não está na pauta. Está no uso que se faz dela.
Existe uma diferença enorme — e muitas vezes ignorada — entre acolher sofrimento e normalizar a não entrega. Entre cuidar de pessoas e suspender completamente a lógica de compromisso profissional. Saúde mental não pode ser tratada como um passe livre para a improdutividade permanente. Isso não protege ninguém. Pelo contrário: enfraquece o próprio discurso que deveria ser levado a sério.
O trabalho, por natureza, envolve esforço, desconforto, frustração, cobrança e responsabilidade. Crescimento dói.
Aprendizado exige tensão. Prazo existe. Meta existe. Isso nunca foi violência. Confundir qualquer pressão com abuso é infantilizar a vida profissional — e criar uma geração emocionalmente despreparada para sustentar compromissos.
Vejo profissionais que, ao menor sinal de cobrança legítima, acionam um discurso defensivo. Tudo vira gatilho. Tudo vira sobrecarga. Tudo vira ameaça emocional.
É preciso dizer com clareza: ter saúde mental não significa ausência de responsabilidade.
Significa justamente o contrário: ter consciência emocional suficiente para reconhecer limites, pedir ajuda quando necessário — e, ao mesmo tempo, sustentar o que foi combinado.
Aqui entra um ponto que abordo no meu trabalho com Inteligência Cênica: maturidade emocional não é fragilidade. É lucidez. É saber diferenciar dor de desconforto produtivo. É entender quando algo exige cuidado clínico e quando exige desenvolvimento, disciplina e organização. É não terceirizar a própria vida emocional para a empresa.
Da mesma forma, as empresas também precisam fazer sua parte. Ambientes tóxicos existem. Lideranças despreparadas existem. Pressões desumanas existem. E isso precisa ser combatido com seriedade, ética e responsabilidade. Mas combater o abuso não significa eliminar a exigência. Humanizar o trabalho não significa torná-lo frouxo.
Quando tudo vira problema emocional, nada mais é levado a sério. Quando toda cobrança é vista como violência, o mérito desaparece. Quando toda dificuldade vira diagnóstico, o crescimento trava.
O verdadeiro cuidado com a saúde mental passa por um pacto adulto entre empresa e profissional. Um pacto onde há escuta, apoio e empatia — mas também clareza, responsabilidade e entrega. Onde sofrimento é acolhido, mas não instrumentalizado. Onde limites são respeitados, mas compromissos também.
Se quisermos ambientes realmente saudáveis, precisamos parar de tratar saúde mental como desculpa e começar a tratá-la como competência. A capacidade de se autorregular, de lidar com pressão razoável, de pedir ajuda sem fugir do compromisso, de se organizar emocionalmente diante da complexidade da vida adulta.
No fim das contas, o risco não está em falar demais sobre saúde mental. O risco está em falar mal. Em usar um tema sério como escudo para não crescer.
Porque empresas precisam de gente saudável, inteira, responsável e comprometida. E saúde mental de verdade não é fugir da entrega. É ter estrutura emocional para sustentá-la.
Por Ronaldo Loyola, especialista em gestão de pessoas e fundador da LHRC Consultoria (www.lhrc.com.br).
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