Existe uma prática silenciosa, comum e profundamente hipócrita dentro de muitas empresas. Ela não aparece no manual de conduta. Não entra no código de ética. Mas é ensinada no corredor. É a estratégia de matar a pessoa antes de demiti-la. Funciona assim: o líder já decidiu que não quer mais aquele profissional. Mas, em vez de ter uma conversa adulta, direta e respeitosa, começa um teatro cruel. Primeiro, tiram os projetos. Depois, tiram as reuniões. Em seguida, tiram a relevância.
A pessoa vira figurante da própria história. Param de chamar para decisões estratégicas. O nome some dos e-mails importantes. Os convites deixam de chegar. Os pares começam a olhar com aquela mistura de pena e silêncio constrangedor. E, em muitos casos, o mais perverso: o processo para substituição já está aberto há meses — e o profissional não faz ideia. É o isolamento como ferramenta de gestão.
Há cerca de 25 anos, passei exatamente por esse roteiro. Meses antes do desligamento, minha avaliação foi excelente. O CEO só elogios. Expectativas altas. Próxima temporada promissora. Dois meses depois, silêncio. Indiferença. Olhares atravessados. Reuniões sem convite. Conversas que cessavam quando eu me aproximava. Da noite para o dia, virei invisível.
Anos depois descobri: era uma “estratégia de gestão de desligamento”. Eu chamo de outra coisa. Falta de respeito. Se a decisão já estava tomada, por que o teatro? Por que a encenação? Por que o esvaziamento moral antes do comunicado formal?
Tem líder que tem coragem para bater meta. Para pressionar time. Para cobrar resultado. Mas não tem coragem para sentar frente a frente e dizer: “O ciclo aqui terminou.” Alguns fogem do momento da demissão. Delegam para outro gestor. Empurram para o RH. Desaparecem no dia mais difícil. É curioso: querem o bônus da liderança, mas terceirizam o peso da decisão. Isso não é estratégia. É imaturidade emocional com crachá de líder.
O problema não é só quem sai. O time vê. O mercado comenta. A cultura registra. Cada desligamento conduzido com covardia ensina uma lição silenciosa: “Ninguém aqui é tratado com dignidade quando deixa de ser útil.” E isso corrói confiança muito mais rápido do que qualquer crise financeira.
Existe uma verdade dura no mundo corporativo: “Rei Morto, Rei Posto”. Se, na visão da empresa — certa ou errada — você não agrega mais, o negócio continuará. Com outra pessoa. No mesmo cargo. Na mesma cadeira.
A engrenagem gira. Mas uma coisa precisa ficar clara para quem passa por isso: o problema não é necessariamente incompetência. Muitas vezes é timing. Mudança de estratégia. Política interna. Ou simplesmente alguém mais alinhado ao momento. E está tudo bem. O erro não é sair. O erro é permitir que te destruam antes de sair.
Fica uma pergunta direta para os líderes que praticam isso: que tipo de cultura você está construindo? A que enfrenta conversas difíceis com dignidade? Ou a que transforma pessoas em fantasmas antes de desligá-las?
Desligamentos fazem parte do jogo corporativo. Desrespeito não. Se a decisão está tomada, conduza como adulto. Com transparência. Com humanidade. Com coragem. Porque liderança de verdade não aparece só no palco das vitórias. Ela aparece, principalmente, na forma como você encerra ciclos. E isso diz muito mais sobre você do que qualquer meta batida no trimestre.
Por Ronaldo Loyola, especialista em gestão de pessoas, professor e fundador da LHRC Consultoria (www.lhrc.com.br).
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